domingo, 31 de maio de 2009

Dicas da semana (Edinalda Almeida)

Caríssima Edinalda,
Agradeço-lhe pela autorização para postar suas preciosidades no meu blog. Os leitores estão amando, como podes bem ver...
Ficamos até ansiosos para ler as dicas... rs
Douglas
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1 - Essa 'coisa' foi lida em um cardápio de um de nossos bares: "Todos os pratos acompanham arroz, salada e pão”. Ah, gente, deve ser algum modelo de prato com pezinhos que sai , brincando de pique atrás do arroz, da salada e do pão. Ora., é só construir a frase com passividade! "Todos os pratos são acompanhados por arroz, salada e pão."
Juro a vcs: dá uma vontade de pegar uma caneta e corrigir! Ainda bem que tenho a quem contar e com quem discutir: meus diqueiros!
2 - O substantivo óculos só pode ser usado assim, no plural. Além disso, todas as palavras que se referem ao substantivo irão para o plural também. Ex: MEUS óculos, óculos ESCUROS, os óculos ESTÃO na caixa, etc, etc...
3 - Sobre o emprego de sic, expressão latina que quer dizer 'assim mesmo'. Deve ser usada quando , por exemplo, transcrevemos a fala de alguém com erro gramatical, de prosódia,ou qualquer outro, para que o leitor entenda que o erro não é nosso, mas de quem produziu a fala.
Ex:" Ela disse : - Perdi meu (sic) óculos."

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Alguns erros gramaticais

Erros gramaticais e ortográficos devem, em princípio, ser evitados. Alguns, no entanto, como ocorrem com maior freqüência, merecem atenção redobrada. Analisemo-los:

1 - "Mal cheiro", "mau-humorado". Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado). Igualmente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar.
2 - "Fazem" cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, é impessoal. Sendo assim, não se pluraliza o verbo: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.
3 - "Houveram" muitos acidentes. Haver, como existir, também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais.
4 - "Existe" muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, restar e sobrar admitem normalmente o plural: Existem muitas esperanças. / Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças. / Restaram alguns objetos. / Sobravam idéias.
5 - Para "mim" fazer. Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.
Dicas bobas, mas que "de vez em sempre" nos pegam... rs

domingo, 24 de maio de 2009

Edinalda - Regência do verbo "chegar"

Salve, diqueiros queridos!
Nossa diqueira Tania (a Gonçalves) ainda tem dúvidas sobre a regência do verbo chegar. Como se 'escorrega' nesse verbo, não é? Vamos teorizar um cadinho e exemplificar, ok?
O "Dicionário Prático deRegência Verbal", do professor Celso Luft afirma que o verbo chegar rege a preposição a, em registro formal: chegar ao lugar certo/ à frente/ às vias de fato/ chegar a uma conclusão. Não se pode, portanto, em um trabalho acadêmico utilizar a regência chegar em, comum na fala coloquial, na música e em ocasiões informais.
O 'escorregão' acontece, principalmente quando o falante, de tanto utilizar a forma coloquial, acredita que esta é a mais adequada em qualquer registro. Não é. Tanto é verdade que dizemos: " Veja a que ponto ele chegou.", ou "Ele chegou ao cúmulo de me pedir isso."
Isso é exigência da regência 'desrespeitada' por Caetano quando canta: "Quando chego em casa nada me consola" ( ele tem 'licença poética', não é?)

mas respeitada por Cazuza quando diz "
“Pode seguir a tua estrela,
O teu brinquedo de star,
Fantasiando um segredo,
O ponto AONDE quer chegar."

Então, gente: o “texto escrito culto formal” é o dos editoriais de jornal, o de teses acadêmicas, o de teorias científicas, o de relatórios técnicos, o de ensaios literários, o de manuais de vestibular, o de pareceres jurídicos, o da Constituição.
Nesses textos, de fato, parece inconcebível outro padrão linguístico que não seja o culto formal. Impõe-se, então, nesses casos o “chegar a" no lugar do "chegar em”.
Bem se vê que a questão não é tão simples. É aí que entra o trabalho do professor de português, cuja função é mostrar ao aluno as diferentes variantes lingüísticas, sem reações histéricas, sem querer que tudo seja padronizado. Talvez a principal tarefa do professor de português seja a de dar ao aluno condições de também se expressar no padrão culto e de distinguir as situações em que isso é cabível. No Brasil, isso é tarefa árdua, complicada. Não é possível reduzir tudo à farta distribuição de rótulos de preconceituosos ou não-preconceituosos.

Grande abraço, até quarta,
Edinalda

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Figuras de Linguagem - Parte II

Venho postando alguns textos da mestra Edinalda Almeida. Essa belíssima (e inteligentíssima) mulher foi, com indescritível prazer, minha professora de Língua Portuguesa I e II (no curso de Relações Internacionais) e de latim, no curso livre.
Agora ocupo a cadeira 80 da Academia Diqueira de Letras! Huahuahua
Só você mesma, Edinalda!
Agradeço o carinho e a admiração... São recíprocos! Vossa Chiqueza sabe bem disso... (Ai, estamos até dados aos neologismos, agora você veja só! rs).
Vamos à segunda parte da dica de figuras de linguagem... Os grifos e as cores seguem o texto original. Há alguns acréscimos pessoais nos asteriscos...
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Salve, diqueiros!
Estou tentando voltar à normalidade com as dicas de quarta e de domingo, como era desde que iniciei esta proposta. Desculpem, se falhar alguma, sim?
Continuaremos a trabalhar um pouco as figuras de linguagem. Recebemos hoje, com especial alegria, o diqueiro que ocupará a cadeira 80!!!!!!!!!!!!!!!!! Nosso Douglas, "professor de tudo", quase colega da Ucam já é do grupo. SEJA BEM VINDO!
As escolhidas de hoje são: a catacrese e a sinestesia.
Catacrese:
A catacrese é um tipo de especial de metáfora, "é uma espécie de metáfora desgastada, em que já não se sente nenhum vestígio de inovação, de criação individual e pitoresca. É a metáfora tornada hábito lingüístico, já fora do âmbito estilístico." (Othon M. Garcia).
São exemplos de catacrese: folhas de livro / pele de tomate / dente de alho / céu da boca / cabeça de prego / ventre da terra / asa da xícara /.
* Vale acrescentar que geralmente a expressão é utilizada por não haver uma outra palavra apropriada para aquela situação. Por exemplo: não há outro termo, a não ser "pé", para "pé da mesa"... Devido ao uso reiterado, não mais se percebe que tais palavras estão fora de seu sentido denotativo.
Sinestesia:
A sinestesia consiste na fusão de sensações diferentes numa mesma expressão. Essas sensações podem ser físicas (gustação, audição, visão, olfato e tato) ou psicológicas (subjetivas).
Exemplo: "A minha primeira recordação é um muro velho, no quintal de uma casa indefinível. Tinha várias feridas no reboco e veludo de musgo. Milagrosa aquela mancha verde [sensação visual] e úmida, macia [sensações táteis], quase irreal." (Augusto Meyer)
* Outro exemplo: “Avista-se [sensação visual] o grito [sensação auditiva] das araras.” (João Guimarães Rosa)

Até domingo, grande abraço,
Edinalda

domingo, 17 de maio de 2009

Momento literário

SONETO DA PERFEIÇÃO AMOROSA

Pensamentos oníricos, desejos incessantes
Amar-te olvidando-me da existência
Olhares, beijos, carinhos e dois amantes
Sentimentos que perfazem tua própria essência

O toque da tua pele faz-me delirar
Desejar-te loucamente no agora
Redigir triolés para te encantar
E amar como nunca feito outrora

Algumas pessoas vivem, enquanto
Outras apenas existem
Não conhecem sentimento tão grande quanto

“Algumas pessoas estão na vida, outras para a vida!”
Diria Heidegger com sapiência
Pois me acostumaste com perfeição antes desconhecida

Dicas da professora Edinalda Almeida

Salve, queridos diqueiros!
Tenho observado uma confusãozinha no emprego da expressão FIGURAS DE LINGUAGEM. Na verdade, esta é uma parte da Semântica que engloba OUTRAS figuras. A partir deste domingo, vamos acabar com a confusão, analisando os grupos abrigados pela nomenclatura FIGURAS DE LINGUAGEM, ok?

Estão no campo das FIGURAS DE LINGUAGEM:
a) figuras de palavras;
b) figuras de som;
c) figuras de pensamento;
d) figuras de sintaxe.

As FIGURAS DE PALAVRAS são: comparação, metáfora, metonímia, sinédoque, catacrese, sinestesia, antonomásia e alegorias.
Como utilizamos muito duas delas, vamos distingui-las:

1 - COMPARAÇÃO - estabelece aproximação entre dois elementos que se identificam. Aparece a partícula como na comparação, ou outra similar:feito, assim como, tal, tal qual, tal como, qual, que nem .
Ex: "Amou daquela vez como se fosse máquina. / Beijou sua mulher como se fosse lógico." (Chico Buarque);

2- METÁFORA - um termo substitui outro por meio de uma relação de semelhança resultante da subjetividade de quem a cria. Não aparece a partícula comparativa.
Ex.: "Supondo o espírito humano uma vasta concha..." (Machado de Assis).

Voltarei, NA QUARTA, com as figuras, ok?

Apresentação

Bem-vindos!
Essa é a nossa louca oficina de criação literária...
Teremos aqui muitas dicas de Língua Portuguesa...
É o espaço mágico em que as letras brincam, se relacionam e fazem as maiores trapalhadas... rs
Abraços a todos!

P.S.: Blog criado em homenagem a minha grande amiga Ana Cláudia!
Acredito em sua capacidade, querida! Você é inteligente e astuta, abra as asas e voe!